terça-feira, 19 de setembro de 2023

Os Deuses Egípcios e as Pragas no Livro do Êxodo

O Livro do Êxodo, um dos principais textos do Antigo Testamento da Bíblia, narra a libertação dos filhos de Israel da escravidão no Egito. Uma das partes mais fascinantes dessa narrativa é o confronto entre Moisés, o líder dos hebreus, e os deuses egípcios, que culminou nas famosas pragas lançadas sobre o Egito como parte do plano divino de libertação. Essas pragas, além de serem um poderoso meio de convencimento para que o faraó deixasse o povo partir, também revelaram a impotência dos deuses egípcios diante do Deus hebreu.

Os egípcios adoravam diversos deuses, cada um responsável por diferentes aspectos da vida e da natureza. No entanto, o Deus de Israel demonstrou sua superioridade de maneira incontestável ao enviar as dez pragas sobre o Egito, uma após a outra.

Cada praga tinha como alvo diretamente um dos deuses egípcios, desafiando sua autoridade e demonstrando que apenas o Deus de Israel tinha poder sobre todas as coisas.


A primeira praga, a transformação das águas do Nilo em sangue, atingiu diretamente Hápi, o deus do Nilo, que os egípcios consideravam vital para sua sobrevivência. Essa praga trouxe devastação, tornando a água imprópria para consumo e inutilizando uma das principais fontes de riqueza do Egito.












A segunda praga, as
rãs, desafiou o deus-rã Heket. Os egípcios viam as rãs como símbolos de fertilidade e vida, mas agora eram uma praga que invadia seus lares e trazia desespero.






A terceira praga, os piolhos, deixou evidente a impotência do deus da terra, Gebe. A terra que antes era um solo fértil agora se tornava hostil para os egípcios.

As pragas subsequentes, incluindo moscas, pestes nos animais, úlceras na pele, chuva de pedras, gafanhotos, escuridão total e a morte dos primogênitos, continuaram a demonstrar o domínio do Deus de Israel sobre todos os aspectos da natureza e da vida no Egito. Cada praga visava enfraquecer o poder e a influência dos deuses egípcios, até que finalmente o faraó cedeu e permitiu que os filhos de Israel partissem.

O relato das pragas no Livro do Êxodo é uma narrativa poderosa que não apenas destaca a intervenção divina na história, mas também simboliza a libertação do povo oprimido. As pragas mostraram que nenhum deus egípcio era capaz de resistir ao Deus de Israel, que estava disposto a lutar pelos seus escolhidos e garantir sua liberdade.

A praga das trevas no Egito, como descrita na narrativa bíblica do Livro do Êxodo, é uma das dez pragas enviadas por Deus como parte de seu plano para convencer o faraó a libertar os filhos de Israel da escravidão. A praga das trevas é a nona praga e é especialmente significativa devido ao seu contexto cultural e mitológico no Egito Antigo.

Na narrativa bíblica, a praga das trevas foi uma escuridão tão profunda que "podia ser apalpada" e durou três dias. Durante esse período, os egípcios não conseguiam sair de suas casas, enquanto os israelitas tinham luz em suas moradias. Essa praga teve um impacto simbólico e mitológico profundo na cultura egípcia.

Dependência do Sol: O Egito Antigo era fortemente dependente do sol. O deus solar, Rá, era uma das divindades mais importantes na religião egípcia. O sol não apenas fornecia luz e calor, mas também era visto como uma força vital que sustentava a vida e a prosperidade do Egito. Portanto, a praga das trevas, que obscureceu completamente o sol, representava uma ameaça direta a essa ordem natural e religiosa.

Reclusão e Orações: Os egípcios acreditavam que a escuridão era uma manifestação de um poder sobrenatural ou uma desordem cósmica. Durante a praga das trevas, eles não se aventuravam fora de suas casas, com medo de enfrentar as forças escuras. Muitos provavelmente recorreram a rezas e rituais para apaziguar os deuses e restaurar a luz do sol.

Luta contra Apófis: Na mitologia egípcia, Apófis (ou Apep) era uma serpente gigante que representava o caos e a escuridão. Todas as noites, os deuses egípcios, liderados por Rá, embarcavam em uma jornada para derrotar Apófis e manter a ordem cósmica. A praga das trevas pode ter sido interpretada como uma manifestação de Apófis, desafiando a ordem divina.

Em última análise, as pragas no Êxodo não apenas impactaram o Egito historicamente, mas também deixaram uma marca duradoura na cultura e na religião, destacando o poder da fé  e a crença em um Deus que protege e liberta seu povo. 

O Papiro Ipuwer é um antigo documento egípcio que data aproximadamente do século XIII a.C. É conhecido por seu título completo, "O Lamento de Ipuwer", e é uma fonte valiosa de informações sobre o Egito Antigo durante o período do Segundo Período Intermediário. O papiro foi descoberto no final do século XIX em uma coleção de papiros egípcios no Museu Nacional de Antiguidades dos Países Baixos.

O Papiro Ipuwer é um texto que descreve uma série de eventos perturbadores e caóticos que supostamente ocorreram no Egito. Esses eventos incluem:

1.Fome e escassez de alimentos.

2.Desordem social e falta de respeito pelas autoridades.

3.O aumento da criminalidade e da violência.

4.Pragas e desastres naturais.

5.Uma inversão das normas sociais, com os pobres se tornando ricos e vice-versa.

Embora o Papiro Ipuwer seja frequentemente considerado como uma descrição das condições difíceis durante o Segundo Período Intermediário, alguns estudiosos acreditam que ele pode ter sido uma obra literária ou uma alegoria, em vez de um registro histórico preciso. No entanto, as descrições de desordem e caos no texto podem ter sido influenciadas por eventos reais, como as invasões estrangeiras e os problemas econômicos que afetaram o Egito naquela época.

Uma das características mais notáveis do Papiro Ipuwer é a semelhança de algumas de suas descrições com as pragas mencionadas no Livro do Êxodo da Bíblia. Por exemplo, o papiro menciona água transformada em sangue, que lembra a primeira praga no Êxodo. 

Em resumo, o Papiro Ipuwer é um documento antigo que oferece uma visão interessante da vida e das condições no Egito Antigo durante o Segundo Período Intermediário. Sua relação com as pragas do Êxodo é muito surpreendente.